Tuesday, April 22, 2014

cronia

meu carinho, o tempo é amarelo
o tempo é o sol de hoje, o Sol de sempre
é um astro com vento próprio

dentro de mim há tempo
que me insufla o peito com bicarbonato
de sódio líquido
como sei, você dizendo?
olha, carinho, eu desci por esse peito adentro
via esôfago, laringe abaixo
pra chegar no deserto do meu pulmão esquerdo

lá, adianto, não entre jamais
- se puder -
que o vento é circular a areia é senhora de toda carne e o pior
o mormaço, o bafejo morno do tempo
envenena os teus cabelos e murcha os teus cílios

no centro do meu tempo
giroscópios ambarinos, árvores hepáticas
insuficiência renal
bolor elipsoide


fique fora que é melhor

de modo geral,
meu caro, carinho,
o tempo é todo amarelo
amarela as paredes de casa, as paredes do prédio,
esquenta a água para o chá
e esfria porque eu esqueço ela lá né

é ouríneo, faz casinha de manhã no mês de Julho,
é pudim queimado, é pão quentinho, é ovo aberto,
é olho fechado,
é a sua mão.


Tuesday, April 1, 2014

r

o branco do olho é o fico
num fio de óleo e de ranço
desfaço e desfio o bagaço
do ronco dos meus joelhos

o peso
o peso
o peso
meu deus,
o céu
e o peso

o peso do amor rasgou as cabeças