Sunday, May 25, 2014

hipotética simples; primeiro volume

fossem todos os nós nas minhas cordas corpóreas
pedregulhos
quanto peso eu não teria ao arrastar as pernas?
fosse fácil a receita
para verter os embrulhos em palavra
quanto sal ainda estaria nadando em mim, a salvo?
fosse a minha língua mais solta
e o meu pensar mais sereno
quantas canções não te teria entoado, louca e breve, tomada de torpor amorísceo?
fossem os ? palavras oblíquas, em determínio,
quão leve seria o peito, o meu?
quero estar livre e aberta e pinçada de medos
e ser-te uma pipa, um tapete que voa
e o fim dos teus dias.

Wednesday, May 7, 2014

O MEU NOME É PROÍBÍDO

O MEU NOME É PROÍBÍDO
EM TODAS AS LÍNGUAS MORTAÍS
E OS BÍCHOS E OS ANÍMAÍS DAS RUAS
TODOS TEMEM O SOM DO MEU NOME

O MEU NOME É ACÍDÍCO
E TEM farpas e espínhos
O MEU NOME É CONFUSÃO DE
CORTÍNA COM CENÁRÍO DENTRO

NÃO TENHO NOME ATÉ ONTEM EU
TERÍA CASO EU FOSSE

EU DE NOMES TENHO MUITOS
E SÃO TODOS ASSASSÍNOS

O MEU NOME É DESCONHECÍDO
QUEM VÊ QUE EXÍSTO NÃO O COMPREENDE
O MEU NOME É PROÍBÍDO

O MEU NOME É SÓ SUSSURO
E DE CARREGAMENTO
TEM A BRÍSA
TEM EM SÍ SEU fím