Friday, June 29, 2012

pasta

andando em cosmogonia
pisando em silêncio de asas farfalas
aguço os ouvidos pra tua figura
abro espaço
atrás da testa
pra fotografia

num medo ansioso do esquecimento
pretendo cravar neste holograma
as unhas tortas e desesperadas
que ganhei das minhas pernas estáticas

vê: começou de baixo
nas fendas das solas dos meus pisadores
mas logo já me tinha os calcanhares
e fazia duas rótulas duras

o pouco gingado dos meus quadris
já pressentia o empedrecer

o tempo não deu

logo vem o bálsamo
olhinhos
dois globos de riso
par de brilhos de menino
de não poder mais

a cura foi sopro leve
em camadas, faceirinho
- daquela força inesgotável
e calma
que o mar tem ao sol juvenil -
e

falando assim tudo fica menor
nada fica bem posto
e as minhas têmporas grudadas nas quinas das letras

que fazer
 que faço?

você que salvou meu corpo e meu miolo
da estatualização
fique sabendo:
eu, professor,
eu também não nasci pra pedra
e virei nos calcanhares
saí dum buracão

e você
e o senhor
o senhor
senhor seu professor
o senhor, doutor
não nasceu nem pra esse mundo

feito perfume pra minhalma
o senhor mora na sublimação






Thursday, June 14, 2012

xale

quero hoje um chá de novas cores
um tempero surpresa ou
uma porta desaberta

sinto falta do meu colar de conchas

mas acordei e vi
que a cabeça continua no lugar
e todos os meus suspiros são antigos
que já não quero os desabrigos
não luto por contatos e sobretudo
não faço andar as mãos

se me deixarem, fico
paciente, assisto a história passar
dar um saltinho
e se esparramar em parágrafos cada vez mais ágeis

faço desta cadeira minha casa
enrolo um xale puído e gostosinho
das coxas até a testa
pra esconder meu rosto hospitalar

hoje não sei rimar