andando em cosmogonia
pisando em silêncio de asas farfalas
aguço os ouvidos pra tua figura
abro espaço
atrás da testa
pra fotografia
num medo ansioso do esquecimento
pretendo cravar neste holograma
as unhas tortas e desesperadas
que ganhei das minhas pernas estáticas
vê: começou de baixo
nas fendas das solas dos meus pisadores
mas logo já me tinha os calcanhares
e fazia duas rótulas duras
o pouco gingado dos meus quadris
já pressentia o empedrecer
o tempo não deu
logo vem o bálsamo
olhinhos
dois globos de riso
par de brilhos de menino
de não poder mais
a cura foi sopro leve
em camadas, faceirinho
- daquela força inesgotável
e calma
que o mar tem ao sol juvenil -
e
falando assim tudo fica menor
nada fica bem posto
e as minhas têmporas grudadas nas quinas das letras
que fazer
que faço?
você que salvou meu corpo e meu miolo
da estatualização
fique sabendo:
eu, professor,
eu também não nasci pra pedra
e virei nos calcanhares
saí dum buracão
e você
e o senhor
o senhor
senhor seu professor
o senhor, doutor
não nasceu nem pra esse mundo
feito perfume pra minhalma
o senhor mora na sublimação
Friday, June 29, 2012
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1 comment:
e eu não vi...
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