Monday, March 17, 2014

sodíaco

já não lembro qual foi o último amor que me rompeu os joelhos
não sei qual o som de correr o sangue pelos ouvidos
minha carne, toda endurecida,
esqueceu de você, esqueceu de quem veio antes
não sabe mais a resposta adequada ao toque

hoje choro todos os dias
chorei hoje no ônibus 1, no ônibus 3,
chorei na pia do banheiro do escritório, chorei na rua
chorei em cima da sua foto que é minha favoria
chorei conversando com os pássaros
antes de deitar, choro de novo
que é pra limpar os olhos

me perdoa, me perdoa
meu corpo é incapaz de produzir os aminoácidos necessários
vou decantar bem baixinho
suspirando, ????????????????? que lixo, que fim, que bando de esqualidez, eu tinha uma estrofe última formada e agora se foi, eu odeio a internet porém moro aqui dentro, é mesmo um completo esfdus9ia(((((


Thursday, March 13, 2014

xix: as palavras são todas iguais


os poemas parecem que é um poema só

acho bem pena

as suas articulações são irreais
são impossíveis
em girações de coruja
e os seus olhos são de tárcio
são nocturnelles vestidas de joia
são furos nos músculos da face
e dentro da sua cabeça
funciona uma oficina fechada

do cabelo de cachos largos a gente pode contar as voltas a olho nu
mas as palpitações escapam toda a investida dos ábacos

te abraço de longe e
te cuido de mentira
(mas de verdade)

Wednesday, March 12, 2014

pasto silêncio

a sirene é um pranto aberto
dentro de todas as palmas cerradas estou
limalheada e resmungando baixinho
dentro das rugas de papel

quem olha para a descida do morro
em breve descasca os cílios
debaixo do ploc ploc dos saltos
- eles rasgam a superfície do asfalto -
e os bebês choram muito e choram alto e choram tanto
que as cabeças baixas das mães ameaçam suicídio
do viaduto para a vida,
feita d'asas
muito diferente das casas que esganam seus pulmões

para calar tudo que ecoa, falo e emendo as horas com palavra
mas é tudo feito rolamento solto
ou um pneu furado 

marquei com você às três e vinte e dois no meio de uma tarde mormácea
no meio do caminho ensaiei mudar de ideia,
infelizmente já não tinha baterias no celular

diante do seu atraso inexplicável
sentei, dando as costas para a entrada do bar
tive medo de revelar o choro e os fantasmas que me habitam

num ínterim, posso subir à mesa e me matar
ou arrancar o coração do chapeiro com oitenta e três facadas cegas

finalmente, você chega
o vento derruba a porta
não quero acordar santa
quero acordar morta