a sirene é um pranto aberto
dentro de todas as palmas cerradas estou
limalheada e resmungando baixinho
dentro das rugas de papel
quem olha para a descida do morro
em breve descasca os cílios
debaixo do ploc ploc dos saltos
- eles rasgam a superfície do asfalto -
e os bebês choram muito e choram alto e choram tanto
que as cabeças baixas das mães ameaçam suicídio
do viaduto para a vida,
feita d'asas
muito diferente das casas que esganam seus pulmões
para calar tudo que ecoa, falo e emendo as horas com palavra
mas é tudo feito rolamento solto
ou um pneu furado
marquei com você às três e vinte e dois no meio de uma tarde mormácea
no meio do caminho ensaiei mudar de ideia,
infelizmente já não tinha baterias no celular
diante do seu atraso inexplicável
sentei, dando as costas para a entrada do bar
tive medo de revelar o choro e os fantasmas que me habitam
num ínterim, posso subir à mesa e me matar
ou arrancar o coração do chapeiro com oitenta e três facadas cegas
finalmente, você chega
o vento derruba a porta
não quero acordar santa
quero acordar morta
Wednesday, March 12, 2014
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