Monday, August 6, 2012

virgulinos (de com por e para Guilherme Zani)

eu vim de lá pra ti entoando fases
costurando passos

sempre em vírgula
sempre em vigília da notícia que não vem

eu vir gu lá pra cá, volitando
e vomitando pausas frequentes
a cara escondida atrás do espelho
a face colada com azulejo

eu vi o fim do escorrega
que dá num jardim de horrores
e estas pausas tão bem feitas
viram gulfos
ouviram laços

eu vim de lá pra cá:
à toa
à tona, meu pulmão inundaço
não!
meu peito de ferro e molhaço
e a âncora no pescoço

a vírgula de cá é boa:
habitual e tatuageira
em verdade, enfim:
as pausas são tropeços
e espaços e soluços
e só grafo essas curvinhas
por faltar-me a cunha do fim

ti cta ct ict ac

sei que a vida leva tempo
e o mesmo tempo leva
embora
que o meu tempo leve logo
antes queu vá
carregada
(escorrida)