silêncio
essa é a coisa primeira
já se pode começar a cantar
joelhos vão para o chão
e encontram os tacos desencerados
e cada um deles chora sozinho a conformidade:
sempre apenas paralelos
a boca entreaberta escapa a baba
e não fecha
me doem os ossos
antes de qualquer músculo
ou veia
ou corte
arranjei uma boa cama
tenho comida morna
mordisco o que está no meio
uma badalada:
impressão ou desgosto?
apresso-me e finjo uma curvatura que as costas não aguentam
risco as unhas no chão
encontro a frieza da madeira velha
e úmida
tento comer do prato à minha frente
batatas que salguei com chuva
e não engulo porque da angústia etc.
duas badaladas:
não tenho certeza
se ouço os badalos ou se são ecos velhos
que esqueceram de chegar
e, rabiscados,
me alcançam em euforia
e em medo de morrerem sozinhos
desconhecidos
as pulgas sou eu ou eles?
os cães é lá fora ou aqui?
a vida parou ou
meus olhos?
aquela hora do dia em que é preciso abri-los forçosamente
porque da dor
(etc.?)
é uma pena a sua desconhecença
do chão de tábuas com um milhãozinho de frestas
das escadas que rangem
da canela velha
da canela fresca
do jarro com canela na sala
das formigas e
posso ouvir mesmo os sinos:
três badaladas
a vida encurtou
o passo morreu na avenida
acreditei na promessa e morri na convexidade
mas vamos logo com isso que Deus já está chegando
Sunday, January 15, 2012
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