ganhei a calçada tranquilamente
com olhar vítreo - e opaco
(um vidro sujo de fumaças)
era noite e
todos me acenavam
ignorando o aviso de ainda não é
porque ainda não era
os cabelo baços grudavam no rosto
agarravam a boca com força
pareciam não querer morrer
(cabelo é matéria morta que o vento excita às vezes
injeta um melado amargo
e ele fica fingindo de vivo)
ainda não é
tem uns minutos
o assobio dos cachorros
o tique taque dos gatos no telhado
(brasilite)
tudo soletra uma profecia:
ainda não é,
porque ainda não era.
Wednesday, February 1, 2012
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