depois da voga noturna
- da orgia, do vômito, do medo,
do tempo do segredo -
de pé no solfejo das portas
abaixo a cabeça, obedeço
peço perdão, estendo os braços
ofereço a carne para despedaços
vou soletrando quietinha
o terço, a ave, o pai
choro devagar e doente
meu choro é grosso,
gelado
meu choro é feito melado
é contágio, é vírus
e cheira a amargo
meu rosto é máscara de choro endurecido
de choro velho, de choro velado
choro que escapou que ficou trancado
de choro antigo
com choro empilhado
(término: depois)
Saturday, May 5, 2012
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