a sua cara é tão linda
ela é feita de pedaço de pão
ela é nuinha todos os dias
élá é féítá dé ćhúvá
ela é tão linda e Bem Feita
quero pisar-lhe as maçãs como uvas vinicolares
e tocar-lhe os sinos como quem carcassonne
eu queria mesmo era
olhar essa cara para sempre
viu
mas dentro em pouco já tenho raiva de você
não dá jeito mesmo
e odeio tudo que tem na sua cara nojenta
a pele suja do seu nariz, sempre suja e esburacada e
o musgo das suas sobrancelhas o canto da sua boca que faz um arco horrível
e os teus dentes despreparados para qualquer sorriso
e o seu lábio superior, que foi toscamente lavrado sobre a pedra cinzenta
da sua cara
tremula e me faz ganas de rasgá-lo
mas à guisa de beijos lentos e lânguidos e lambidas até o fim do seu pescoço
eu amo a sua cara linda, sua cara menina
sua cara sono, sua cara sexo e sua cara comida
eu bebo o choro da sua cara
e te escuto muito melhor com os olhos
não é que eu não dê importância ao que fala a cara
mas
palavras, você sabe como são
eu sei como são
e te oiço, ouriço, ouço, arisco
mas não arrisco, não
porque sua cara é linda eu sei você sabe
e inclusive amo o que tem no miolo
mas não falamos sobre isso porque é perigoso
------------------------------------------------?
eu comeria a sua cara
acho que quando você morrer eu vou mesmo
Sunday, February 2, 2014
Sunday, November 10, 2013
feitiçaria
dá-se uma assadeira redonda à massa
e pronto
temos um bolo circular
e se for retangular, cilíndrica,
se tiverformato barato de estrela ou qualquer bobagem,
não importa muito - a massa será escrava
e aqui, numa terra escura e virgem, proliferam as raízes do medo
falar das coisas é dar-lhes forma pronta
dizer que amo essas mãos fará dos teus dedos uma forca
prefiro sangrar
um filete
fino
e disforme
e pronto
temos um bolo circular
e se for retangular, cilíndrica,
se tiverformato barato de estrela ou qualquer bobagem,
não importa muito - a massa será escrava
e aqui, numa terra escura e virgem, proliferam as raízes do medo
falar das coisas é dar-lhes forma pronta
dizer que amo essas mãos fará dos teus dedos uma forca
prefiro sangrar
um filete
fino
e disforme
lapa de baixo
estive sob a terna influência dos anjos,
numa dança febril e desmedida
mas agora torno à rua, aos dias quentes que antecedem o choro
torno também ao parapeito de todas as casas insones
a inspecionar se, no rastro de poeira recente, resta um passo
uma pegada ainda morna dos teus pés
é verdade, cinzinha, eu amo os teus pés!
e amo a figura do teu sono! amo o teu sorriso perdido!
mas foi tudo tão lépido e manco...
ausente a tua forma marmórea
pus-me a escolher outro material para esculpir tua face
tão surpresa, eu, por ter falhado em ver mais cedo:
minha carne, minha carne, minha carne tomará teus traços
numa dança febril e desmedida
mas agora torno à rua, aos dias quentes que antecedem o choro
torno também ao parapeito de todas as casas insones
a inspecionar se, no rastro de poeira recente, resta um passo
uma pegada ainda morna dos teus pés
é verdade, cinzinha, eu amo os teus pés!
e amo a figura do teu sono! amo o teu sorriso perdido!
mas foi tudo tão lépido e manco...
ausente a tua forma marmórea
pus-me a escolher outro material para esculpir tua face
tão surpresa, eu, por ter falhado em ver mais cedo:
minha carne, minha carne, minha carne tomará teus traços
Tuesday, November 5, 2013
parto normal
uma série de fatores, concatenados
porque o tive entre os braços e
porque o tive entre as pernas e
por ter sentido a sombra de um gozo frio e
porque dormiste em meu ombro direito
e depois no esquerdo e
porque as tuas formas são curvas e
porque tua pele é um abismo e um remédio e um vício e
porque sussurei um segredo impossível e
porque o tive entre os dedos
e porque o tive sob os ossos
e porque ainda o tenho nos olhos, impresso,
um amuleto âmbar.
porque o tive entre os braços e
porque o tive entre as pernas e
por ter sentido a sombra de um gozo frio e
porque dormiste em meu ombro direito
e depois no esquerdo e
porque as tuas formas são curvas e
porque tua pele é um abismo e um remédio e um vício e
porque sussurei um segredo impossível e
porque o tive entre os dedos
e porque o tive sob os ossos
e porque ainda o tenho nos olhos, impresso,
um amuleto âmbar.
Saturday, October 26, 2013
torneira de sódio
espelho espelho nosso meu espelho minha garrafinha de gênio
eu desejo eu desejo
um calmante novo um sorriso fixo
eu desejo eu desejo
um calmante novo um sorriso fixo
Tuesday, September 17, 2013
estoque e reposição
as pedras, nascidas poeira, têm no sol/Sol um descanso
uma Hora Extra Dos Homens De Bem
são pedras
no passado, essas pedras foram homens
não sou cientista mas li papéis de acadêmicos
corretíssimos
e diziam poeira é pele
pele eu tenho, oras, e um dia serei pedra (espero que logo pois sabe não suporto piaçava ou mesmo o próprio ato da varredura)
a rigor, já que li Os Papeis
posso dizer que sou este edredom puído e este plástico do computador
- péssima comparação, dirão Os Acadêmicos e Os Cientistas, uma vez que deitaste o corpo exaustivamente sobre os dois
tanto foi que teu corpo mesmo já é As Coisas Ao Redor De Ti -
o meu corpo está, deste modo, esticado
passado na maquininha de fazer macarrão sei lá o nome daquilo
tem uns rolos, prensa,
isso, pode ser uma prensa editorial
por aqueles rolamentos passou o meu corpo
por horas que fiaram anos
até ser um véu invisível e
riam
incorpóreo
(um tipo de cortininha, com todas as histórias dos homens impressas em sussuros, frente-e-verso, sobre o pano)
a se estender por toda a criação e toda criatura
por todos os computadores das vitrines e as caixas de computadores nos estoques e os ainda-não-computadores desmantelados
e também me pus a deitar por sobre telhados, sóis, alumínios
não gostava de ser os edredons porém já estou
no final da história acabei por repousar mais uma vez sobre sua pele
seria este o único jeito
por isso fiz
uma Hora Extra Dos Homens De Bem
são pedras
no passado, essas pedras foram homens
não sou cientista mas li papéis de acadêmicos
corretíssimos
e diziam poeira é pele
pele eu tenho, oras, e um dia serei pedra (espero que logo pois sabe não suporto piaçava ou mesmo o próprio ato da varredura)
a rigor, já que li Os Papeis
posso dizer que sou este edredom puído e este plástico do computador
- péssima comparação, dirão Os Acadêmicos e Os Cientistas, uma vez que deitaste o corpo exaustivamente sobre os dois
tanto foi que teu corpo mesmo já é As Coisas Ao Redor De Ti -
o meu corpo está, deste modo, esticado
passado na maquininha de fazer macarrão sei lá o nome daquilo
tem uns rolos, prensa,
isso, pode ser uma prensa editorial
por aqueles rolamentos passou o meu corpo
por horas que fiaram anos
até ser um véu invisível e
riam
incorpóreo
(um tipo de cortininha, com todas as histórias dos homens impressas em sussuros, frente-e-verso, sobre o pano)
a se estender por toda a criação e toda criatura
por todos os computadores das vitrines e as caixas de computadores nos estoques e os ainda-não-computadores desmantelados
e também me pus a deitar por sobre telhados, sóis, alumínios
não gostava de ser os edredons porém já estou
no final da história acabei por repousar mais uma vez sobre sua pele
seria este o único jeito
por isso fiz
Sunday, September 15, 2013
roucando
my head hurts on medicine
on flasks (metal-coated)
my head hurts on things unknown
- ones i've known long enough to disassemble the knowledge -
my head hurts on salty water my head hurts on concealed holes my head
hurts on over grinning faces on overwhelmed hearts it hurts on
saturdays and thursdays alike my head hurts
on grains of sand on the welcome mat of all my neighbours
my head
hurts
on forgotten keys on my unsleepable mattress i
hear herds my ear harvests my????? head hurts yes that
on my sun tattooed skin my head hurts on the frequence of my own voice on the very images it produces at night my heart hurts
no
my head i mean
my head hurts
on flasks (metal-coated)
my head hurts on things unknown
- ones i've known long enough to disassemble the knowledge -
my head hurts on salty water my head hurts on concealed holes my head
hurts on over grinning faces on overwhelmed hearts it hurts on
saturdays and thursdays alike my head hurts
on grains of sand on the welcome mat of all my neighbours
my head
hurts
on forgotten keys on my unsleepable mattress i
hear herds my ear harvests my????? head hurts yes that
on my sun tattooed skin my head hurts on the frequence of my own voice on the very images it produces at night my heart hurts
no
my head i mean
my head hurts
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