as pedras, nascidas poeira, têm no sol/Sol um descanso
uma Hora Extra Dos Homens De Bem
são pedras
no passado, essas pedras foram homens
não sou cientista mas li papéis de acadêmicos
corretíssimos
e diziam poeira é pele
pele eu tenho, oras, e um dia serei pedra (espero que logo pois sabe não suporto piaçava ou mesmo o próprio ato da varredura)
a rigor, já que li Os Papeis
posso dizer que sou este edredom puído e este plástico do computador
- péssima comparação, dirão Os Acadêmicos e Os Cientistas, uma vez que deitaste o corpo exaustivamente sobre os dois
tanto foi que teu corpo mesmo já é As Coisas Ao Redor De Ti -
o meu corpo está, deste modo, esticado
passado na maquininha de fazer macarrão sei lá o nome daquilo
tem uns rolos, prensa,
isso, pode ser uma prensa editorial
por aqueles rolamentos passou o meu corpo
por horas que fiaram anos
até ser um véu invisível e
riam
incorpóreo
(um tipo de cortininha, com todas as histórias dos homens impressas em sussuros, frente-e-verso, sobre o pano)
a se estender por toda a criação e toda criatura
por todos os computadores das vitrines e as caixas de computadores nos estoques e os ainda-não-computadores desmantelados
e também me pus a deitar por sobre telhados, sóis, alumínios
não gostava de ser os edredons porém já estou
no final da história acabei por repousar mais uma vez sobre sua pele
seria este o único jeito
por isso fiz
Tuesday, September 17, 2013
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