Saturday, May 25, 2013

post-it

o concreto
os seus olhos viram vidro
halogênio
os seus cílios tingidinhos
de vermelho
o medo que perpassa sua raiz

escondido
os dedos da sua mão, quebrados
inventados, impossíveis, mentirosos,
ângulos inexistentes

sem faiscar
sem brilhantes, sem beleza e sem rebusque
a figura que te espanta
e te escalavra
é uma imitação de realeza
é um ensaio para imperatriz

violento
o cimento choca-se com sua nuca
e mãos doídas te apresentam absinto
esperando uma resposta
uma palmada

já não sente
se o frio acontece ou é a cabeça
não há pinças que te prendam à certeza
não há marcas
não há sinos
nem há dor

observo
e dentro do meu crânio velho
gruda-se a sua última imagem
secam seu suor com um pedaço de lixa
põem-lhe vestes absurdas
e eu, eletrônica,
observo
eu, milimétrica,
te assisto,
eu, submersa,
te imagino
eu, já distante, já embora,
mando um bilhete à sua memória.




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