(as grandes teorias da robótica
e, bem,
as tintas que a gente inventa
são sonho)
de noite, dói-me o meu couro da cabeça
que é uma peneira esticada sobre o osso
não suporto as coisas que crescem,
mesmo as natimortas
mesmo as sobras
quero-as longe do meu rosto
desejo expulsá-las todas numa progressão lenta
estratificada, em capítulos, e em versículos
- e os folículos...-
eu molesto meu corpo com cabo-de -guerra
moendo a superfície da pele
que é o que dá à minha cabeça essa aura de
calor
emanação
emanamento
e uma latência que pulsa a dor baixinha
um plastiquinho
eu quero que as coisas tornem em cantiga mas são sons que se tropeçam tudo que me escapa
Friday, September 6, 2013
Saturday, May 25, 2013
post-it
o concreto
os seus olhos viram vidro
halogênio
os seus cílios tingidinhos
de vermelho
o medo que perpassa sua raiz
escondido
os dedos da sua mão, quebrados
inventados, impossíveis, mentirosos,
ângulos inexistentes
sem faiscar
sem brilhantes, sem beleza e sem rebusque
a figura que te espanta
e te escalavra
é uma imitação de realeza
é um ensaio para imperatriz
violento
o cimento choca-se com sua nuca
e mãos doídas te apresentam absinto
esperando uma resposta
uma palmada
já não sente
se o frio acontece ou é a cabeça
não há pinças que te prendam à certeza
não há marcas
não há sinos
nem há dor
observo
e dentro do meu crânio velho
gruda-se a sua última imagem
secam seu suor com um pedaço de lixa
põem-lhe vestes absurdas
e eu, eletrônica,
observo
eu, milimétrica,
te assisto,
eu, submersa,
te imagino
eu, já distante, já embora,
mando um bilhete à sua memória.
os seus olhos viram vidro
halogênio
os seus cílios tingidinhos
de vermelho
o medo que perpassa sua raiz
escondido
os dedos da sua mão, quebrados
inventados, impossíveis, mentirosos,
ângulos inexistentes
sem faiscar
sem brilhantes, sem beleza e sem rebusque
a figura que te espanta
e te escalavra
é uma imitação de realeza
é um ensaio para imperatriz
violento
o cimento choca-se com sua nuca
e mãos doídas te apresentam absinto
esperando uma resposta
uma palmada
já não sente
se o frio acontece ou é a cabeça
não há pinças que te prendam à certeza
não há marcas
não há sinos
nem há dor
observo
e dentro do meu crânio velho
gruda-se a sua última imagem
secam seu suor com um pedaço de lixa
põem-lhe vestes absurdas
e eu, eletrônica,
observo
eu, milimétrica,
te assisto,
eu, submersa,
te imagino
eu, já distante, já embora,
mando um bilhete à sua memória.
Sunday, May 12, 2013
infant(e)aria
somos dois
- e em par, somos sozinhos -
por detrás do hoje, já não existimos
nos desfizemos
em limalha metálica, magnética
soprei de cá, você daí
e o espalho foi fantástico, admito
mas foi mesmo artificial
daquilo que dois ímpetos confetearam
o tempo, arquiteto, fez rejuntes
e rearranjou as polaridades de:
pedaço
lasca
fragmento
e grão
a massa requentada se apruma
e se abate sobre nós um medo fino
que é névoa mas que destila veneno
o melhor, já concordamos, é olhar o chão
expor a nuca ao vento salgado
ao escuro-penumbra das lombares
- nossas mãos buscam vincos, reforços
meus punhos cerram firme sobre os ossos
que acinturam teu estômago
tua raiz
somos dois
mas os olhos só me dizem unidade
é um disfarce irrequieto pra saudade
é uma bola luminosa
e azul
- e em par, somos sozinhos -
por detrás do hoje, já não existimos
nos desfizemos
em limalha metálica, magnética
soprei de cá, você daí
e o espalho foi fantástico, admito
mas foi mesmo artificial
daquilo que dois ímpetos confetearam
o tempo, arquiteto, fez rejuntes
e rearranjou as polaridades de:
pedaço
lasca
fragmento
e grão
a massa requentada se apruma
e se abate sobre nós um medo fino
que é névoa mas que destila veneno
o melhor, já concordamos, é olhar o chão
expor a nuca ao vento salgado
ao escuro-penumbra das lombares
- nossas mãos buscam vincos, reforços
meus punhos cerram firme sobre os ossos
que acinturam teu estômago
tua raiz
somos dois
mas os olhos só me dizem unidade
é um disfarce irrequieto pra saudade
é uma bola luminosa
e azul
Saturday, March 2, 2013
tato contato
você vai me perdoar, r
por não pegar sua mão nunca mais que eu peguei mesmo é mesmo né
e como tá a casa?
e quantos cantos ela tem?
tem quadro no quarto?
tem flor amarela?
tem cabide vazio?
tem um colchão a mais?
não é que eu não goste mais
não é que não te acarinho
faço ainda, mas só com os olhos
e desenho seu entorno todinho com meus cílios
sua pele lê a minha
e no tato, contato,
elas se contam historinhas
se você souber o que diz
o sussuro de suspiros, poros,
vou ver tuas costas pro resto da vida.
por não pegar sua mão nunca mais que eu peguei mesmo é mesmo né
e como tá a casa?
e quantos cantos ela tem?
tem quadro no quarto?
tem flor amarela?
tem cabide vazio?
tem um colchão a mais?
não é que eu não goste mais
não é que não te acarinho
faço ainda, mas só com os olhos
e desenho seu entorno todinho com meus cílios
sua pele lê a minha
e no tato, contato,
elas se contam historinhas
se você souber o que diz
o sussuro de suspiros, poros,
vou ver tuas costas pro resto da vida.
Wednesday, October 17, 2012
Sunday, September 9, 2012
Ábaco
Cinquenta dias servi estes pratos e cinquenta vezes subi as colinas. Cinquenta vincos nos meus tímpanos. Cinquenta os calos nos meus solados. Vendi cinquenta tablados. Cinquenta metros bem engomados. De baldes de sangue e suor, cinquenta. Cinquenta anos me foram roubados. E em cinquenta palavras vos digo que: fui.
Hedionda (ou Odianda)
Naquele dia estava adiantada, fora do costume. Quis matar o tempo de sobra com andança e fui a outro lugar, pra encostar ossos. Grudei os pesos do dia no balcão e pedi um suco complicado. A moça preparadeira também tinha pesos, mas eram de meses. Uns oito. Abateu-se sobre mim uma ternura grande, inflada, quase impessoal, e fiz então inveja do suor que lhe escorria pelas bochechas. Eu também tô grávida! e ganhei um sorriso e atenções em troca da mentira. Saí pelas portas sugando o canudo, sem culpa, anestesiada e importante.
(esse texto é do lemúrias, mas tô com tanta saudade...)
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